terça-feira, 21 de abril de 2009

LEITURAS ENCENADAS NO FAZER A FESTA - mad às 19 horas

Fazer a Festa - Festival Internacional de Teatro



28ª edição - 25 de Abril a 3 de Maio de 2009
Fórum da Maia
Quinta da Caverneira
Maia






programa

Dia 25 Abril, sabádo
[ 15.30h ]
"SERAFIM E MALACUECO" ¬ ESTACA ZERO TEATRO . Porto ¬ M/4
[ 16.30h ]
"MÃOS GRANDES" ¬ T. REGIONAL DA SERRA DE MONTEMURO . Montemuro ¬ M/4
[ 21.35h ]
"ANIMAIS NOCTURNOS" ¬ RENATA PORTAS . Porto ¬ M/12

Dia 26 Abril, domingo
[ 15.30h ]
"MAMULENGO DO JOÃO REDONDO" ¬ TEATRO DAS FORMAS ANIMADAS . Vila do Conde ¬ M/4
[ 16.30h ]
"LOL POP" ¬ TEATRO DAS BEIRAS . Covilhã ¬ M/4
[ 21.35h ]
"ANIMAIS NOCTURNOS" ¬ RENATA PORTAS . Porto ¬ M/12

Dia 27 Abril, segunda-feira
[ 19.00h ]
[MAD’09] "TESTA-DE-FERRO" ¬ M/12
[ 21.35h ]
"ANIMAIS NOCTURNOS" ¬ RENATA PORTAS . Porto ¬ M/12

Dia 28 Abril, terça-feira
[ 10.00h e 14.30h ] (#)
"HISTÓRIA DE UMA GAIVOTA E DO GATO QUE A ENSINOU A VOAR " ¬ TEATRO ART’IMAGEM . Porto ¬ M/4
[ 19.00h ]
[MAD’09] "A IRRISÃO DAS FLORES" ¬ M/12
[ 21.35h ]
"ANIMAIS NOCTURNOS" ¬ RENATA PORTAS . Porto ¬ M/12

Dia 29 Abril, quarta-feira
[ 10.00h e 14.30h ] (#)
"HISTÓRIA DE UMA GAIVOTA E DO GATO QUE A ENSINOU A VOAR " ¬ TEATRO ART’IMAGEM . Porto ¬ M/4
[ 19.00h ]
[MAD’09] "IDA E VOLTA" ¬ M/12
[ 21.30h ]
"EL FINAL ES DONDE PARTI" ¬ COMPANHIA TEATRAL VENTUS . Santiago, Chile ¬ M/16
[ 21.35h ]
"ANIMAIS NOCTURNOS" ¬ RENATA PORTAS . Porto ¬ M/12
[ 23.30h ]
"XaTa – PROJECTO DE POESIA TEATRAL" ¬ TENDA DE SAIAS . Portugal ¬ M/ 12

Dia 30 Abril, quinta-feira
[ 19.00h ]
[MAD’09] "UMA CARTA A CASSANDRA" ¬ M/12
[ 21.30h ]
"MÁS DE MIL JUEVES" ¬ ASSEMBLEA TEATRO . Turim, Itália ¬ M/4
[ 21.35h ]
"ANIMAIS NOCTURNOS" ¬ RENATA PORTAS . Porto ¬ M/12
[ 23.30h ]
"TRINSPIRA" ¬ ERVA DANINHA . Porto ¬ M/12

Dia 1 Maio, sexta-feira
[ 15.30h ]
"CAPUCHINHO VERMELHO" - Animação ¬ TEATRO ART’IMAGEM . Porto ¬ M/4
[ 19:00h ]
[MAD’09] "A MINHA MULHER" ¬ M/12
[ 21.30h ]
"MEMÓRIAS DE BRANCA DIAS" ¬ CENDREV . Évora ¬ M/12
[ 21.35h ]
"ANIMAIS NOCTURNOS" ¬ RENATA PORTAS . Porto ¬ M/12
[ 23.30h ]
"INVASÃO" ¬ ENTRETANTO TEATRO . Valongo ¬ M/ 12

Dia 2 Maio, sábado
[ 15.30h ]
"MARIONETAS NA QUINTA" ¬ INSTITUTO SUPERIOR JEAN PIAGET . Gaia ¬ M/4
[ 21:30h ]
"CANDIM" ¬ CIA CASA AMARELA . S. Paulo, Brasil ¬ M/4
[ 21.35h ]
"ANIMAIS NOCTURNOS" ¬ RENATA PORTAS . Porto ¬ M/12
[ 23.30h ]
"COMEÇO DE UM DIA DE VERÃO MUITO BONITO" ¬ MAU ARTISTA / TENDA DE SAIAS . Porto ¬ M/ 12

Dia 3 Maio, domingo
[ 15.30h ]
"PAPPETOLOGIA" ¬ MARIONETAS DA FEIRA . Sta Maria da Feira ¬ M/4
[ 21:30h ]
"SOLTANDO OS CACHORROS" ¬ CIA FATO DE TEATRO . S. Paulo, Brasil ¬ M/12
[ 21.35h ]
"ANIMAIS NOCTURNOS" ¬ RENATA PORTAS . Porto ¬ M/12

(#) - marcação prévia
programa sujeito a alterações

Cheguei

É muito bom estar em contacto com vocês, receber noticias vossa e "finalmente" poder dar-vos um OLÁ bloguistas :)
Cumprimentos dramaturgicos

domingo, 19 de abril de 2009

Este meu post provavelmente não contém informação tão valiosa quanto o do nosso carissimo "orientador". Este post provavelmente está cheio de palavras já bem batidas.... No entanto considero-o merecedor de cá estar... em homenagem ao escritor, às escritas, aos amigos, a nós.....
Loucos e Santos

Escolho os meus amigos não pela pele nem outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não me interessam os bons de espírito ou os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero respostas, quero o meu avesso.
Que me tragam duvidas e angustias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o seu ombro ou colo, quero também a sua maior alegria.
Amigo que não ri comigo, não sabe sofrer comigo.
Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois vendo-os loucos e santos, disparatados e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

quinta-feira, 16 de abril de 2009

DIDASCÁLIA

Tudo o que no texto dramático não se destina a ser dito pelas personagens e que, na representação cénica, desaparece enquanto discurso e surge diante dos espectadores como acção ou presença física (objectos, guarda-roupa, cenário ...).



As didascálias, que são a voz directa do dramaturgo, difrenciam-se visualmente do resto do texto por estarem escritas entre parêntesis ou por estarem impressas em itálico, ou de qualquer outra forma que marque bem que se trata de um texto à margem das falas das personagens. Tais indicações cumprem uma dupla função: situam o diálogo, a acção, num contexto imaginário, a nível do acontecimentos ficcional (aproximando-se do papel da descrição no género narrativo) e, a nível da repreentação, fornecem intruções àqueles que transformam o texto em espectáculo (encenadores, actores, cenógrafo ...). A segunda função evoca o significado da palavra grega que está na origem do termo “didascália” - “didaskália” (“instrução”) e do verbo “didáskein” (“ensinar”).



As didascálias incluem as indicações espácio-temporais, as indicações cénicas “Julieta aparece a uma janela”, Shakespeare Romeu e Julieta, II 2; “Inverno. Cinco horas. Anoitece”, Raúl Brandão: O Gebo e a Sombra, I), as de movimento, de acção (“O general começa a passear, de mãos atrás das costas, enquanto repete de novo a sua cantilena”, Ivette K. Centeno: O General, 1), as de expressão facial (“Com ódio ateado nos olhos”, Bernardo Santareno: O Judeu, I), também as tom de voz e de atitude (“Fala como um alucinado, com frequentes pausas, que dão a entender não ser esta a primeira vez que no assunto”, Luís Sttau Monteiro, Felizmente há Luar, I); o nome das personagens à esquerda das suas falas, tudo o que permite determinar as condições em que o diálogo é enunciado.



As didascálias podem também aparecer no interior dos diálogos, denominando-se “didascálias internas”, sempre que, ao proferir a sua fala, uma personagens dê indicações no âmbito da própria representação (instruções de espaço, de lugar, postura, acção ...). Tal é o que acontece, por exemplo, neste caso: “Telmo: (chegando ao pé de Madalena, que o não sentiu entrar). A minha senhora está a ler? ...” (Almeida Garrett: Frei Luís de Sousa, I, 2).

Sendo as didascálias actos de fala directivos, que visam o “cumprimento” de instruções, pressupõe-se que tudo tenha de ser entendido no modo imperativo, mesmo que as indicações estejam escritas no presente do indicativo (“ chama um pagem e diz”, Almeida Garrett: Um Auto de Gil Vicente, II, 10), no gerúndio, quer sejam formadas por adjectivos, por um advérbio (“Selvagemente”, Shakespeare, Hamlet, III, 2), dentre outros casos. Assim, por exemplo, a didascália “ameaçando-o com o dedo”, referente à atitude de Maria ao falar para Telmo (Almeida Garrett: Frei Luís de Sousa, II, 1) deve ser entendida pelo leitor como : “imagine Maria a ameaçar Telmo com o dedo”, pelo encenador como: ponha Maria a ameaçar Telmo com o dedo”.



O uso das didascálias varia ao longo da história do teatro, passando-se de situações de total inexistência de indicações a outras de invasão do texto por elas.



Assim, no teatro grego não havia necessidade de escrever didascálias, pois o dramaturgo era também o encenador. No classicismo, as didascálias eram recusadas, defendendo-se que tudo o que fosse necessário à compreensão do texto deveria fazer parte dos diálogos, evitando-se a existência de um texto exterior às falas das personagens. Porém, dramaturgos como Corneille diziam que os autores deviam escrever as didascálias à margem do texto, para não prejudicar a perfeição dos diálogos, sobrecarregando-os com indicaçoes exteriores a eles.



É nos séculos XVIII-XIX que as didascálias adquirem importância, nomeademente a partir do teatro naturalista, pois as personagens individualizam-se e, para que a sua irredutibilidade seja marcada, contribui muito a presença de elementos caracterizadores, quer a nível exterior (aspecto físico, postura, movimento ...), quer a nível interior (traços de personalidade, pensamentos ...), conduzindo-nos à densidade psicológica das personagens.



No nosso século, o uso de didascálias é muito abundante, culminando em situações extremas, nas quais o texto dramático é constituído apenas de uma didascália, que, como não parece na representação, “dá origem”, a Actes Sans Paroles (Samuel Beckett). Nesse caso, o autor dá apenas as condições da acção: indica o cenário, o vestuário, as movimentações das personagens, não havendo quaisquer palavras.



O estatuto das didascálias varia: por um lado, esse texto secundário, segundo a terminologia de Roman Ingarden, pode ser visto como um metatexto, no qual o dramaturgo fornece a explicação do texto principal (diálogos), limitando-se o encenador a “obedecer” às instruções do autor.



Contudo, as didascálias podem ser entendidas como sugestões, pistas para a representação e não a sua “chave” e então o encenador pode ignorá-las ou optar por as usar como mais uma forma de questionar o texto, como mais um elemento interveniente na construção da sua própria representação/encenação da obra.


(Isto é que boa informação, lololol.)

Dia Mundial do Teatro - 27 de Março, 2009

«Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática - tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - "Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida".

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!»

Augusto Boal

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Evolução...

Que bem me sinto... Depois de meses subordinada a uma mera categoria de reles seguidora, finalmente atinjo o patamar de contribuidora.... and she lived happely ever after :)
Olá

Um olá especial para o Jorge, espero que feliz em Lisboa!
abraço a todos